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O movimento pró-censura

terça-feira, 23 de novembro de 2010 08:38


Confesso que poucas vezes temi como agora que elementos ditatoriais tomem mais força no Brasil. É notório que há no país uma cultura autoritária em alguns partidos e instituições. Contudo, está em curso uma tentativa de controlar a imprensa. Sim, controlar, não existe outra palavra. Políticos e pessoas influentes, principalmente no PT, defendem e tentam constantemente criar controles governamentais dos meios de comunicação. Primeiro, eles tentam denegrir a imagem da imprensa, querendo com que as pessoas passem a sentir repulsa pelas TVs, rádios e jornais estabelecidos (a não ser que concorde com suas ideias). Depois, propõem a “democratização da mídia” ou o “controle social da comunicação”.
Mesmo considerando que toda a mídia inventasse mentiras sobre o governo e que realmente se comportasse como oposição política, isso não dá o direito dos políticos controlarem a comunicação. No Brasil, se alguém se sentir caluniado ou prejudicado por falsas notícias, pode ir à Justiça e pedir reparações. Alguns liberais até condenam o crime por opinião, mesmo que seja ofensiva. Mas a regra que vale no país é essa: sentiu-se caluniado ou difamado, vá à Justiça, prove e ganhe a causa. Se perder, paciência, é o jogo. Então, no Brasil já existem dispositivos que punem as mentiras. Mas serão que são mentiras mesmo? Não. Para a esquerda petista mentira é tudo àquilo que é denunciado contra eles. O mensalão foi uma tentativa de golpe da mídia, nunca existiu. Nem o caso de tráfico de influência de Erenice Guerra, e muito menos a tentativa de sovietizar a sociedade com o Programa Nacional de Direitos Humanos 3. Caso a esquerda apenas criticasse a mídia, dizendo que tudo isso é mentira, menos mal. Mas essa desmoralização diária que eles tentam fazer dos meios de comunicação é parte de um maior, à saber: o controle de conteúdo da mídia.
A presidenta eleita, Dilma, diz que isso não é verdade. Contudo, foi ela própria que assinou o PNDH-III, que tinha dispositivos de controle de conteúdo. Ou seja, eles vão negar até o máximo que querem dissipar a liberdade de expressão no Brasil, mas na prática fazem o contrário. E para isso, utilizam da corrupção da linguagem que é inerente aos de ideologia pró-estado, principalmente os comunistas. E é nesse ponto que reside o maior perigo. Como exemplo temos as chamadas “democracias populares”, que eram na prática regimes comunistas. O comunismo é uma idéia política que só funciona com o totalitarismo, ou seja, ele pressupõe o controle irrestrito da comunicação e o extermínio de toda oposição política. Mesmo pessoas não ligadas à política, mas que representam a “classe dominante”, devem ser assassinadas. Um exemplo foi a morte de crianças da família real russa na revolução comunista. Assim, o comunismo é um regime político que pratica o genocídio (com base em “classes”), aliena a população, não permitindo oposição, e, consequentemente, só funciona com um governo totalitário. Mas sabemos que o senso comum não gosta de ditadura, prefere saber que participa do processo político com liberdade. Então os comunistas simplesmente substituíram a palavra “ditadura” por “democracia popular”. Isso dá um ar de participação política e de mais proximidade com o povo. Coisas que nunca existiram em países comunistas, pois todas as decisões eram tomadas por uma elite burocrática, e qualquer oposição era caso de cadeia, inclusive com campos de concentração em caso de “insubordinação grave”.
Essa mesma corrupção da linguagem tomou os debates sobre o controle da mídia. A esquerda autoritária, petista principalmente, chama de “democratização dos meios de comunicação” ou “controle social da mídia” o que na verdade é censura. Mas o objetivo não é apenas recriar um sistema censor no país, mas também incluir julgamentos ideológicos no próprio (sistema). O PNDH-III representa uma clara tentativa disso: incluía, entre outras coisas, a legitimação de atos criminosos pelos sem-terra, criação de tribunais de esquerda, perseguição aos símbolos religiosos e punição dos meios de comunicação que fossem contra o conteúdo ideológico eles (que eles tentaram enganar com o termo “direito humano”). Alguns se enganam pela guinada pragmática de alguns petistas com a vitória de Lula em 2002. Como o presidente manteve a estabilidade macroeconômica e não tomou medidas socialistas como defendia na década de 1990, isso significou que o PT mudou. Apenas uma parte dele mudou. Ainda há uma corrente forte, que inclui a própria presidenta eleita Dilma, que deseja controlar os meios de comunicação. O próprio Lula diversas vezes mostrou sua face autoritária: tentou expulsar o jornalista Larry Rohter do país, defendeu ditadores que torturam e matam e permitiu que o PNDH-III fosse aprovado.
O plano principal da esquerda autoritária é basicamente: a) denegrir os meios de comunicação perante à sociedade; b) fazer crer que o Brasil necessita de um controle para acompanhar os países ricos (o atual debate do “marco regulatório”, outro caso de linguagem distorcida) e, por fim, c) implantar o controle partidário e estatal da mídia. Ou seja, é necessário colocar a opinião pública contra revistas, jornais, rádios e TVs de prestígio (quem nunca ouviu mentiras como que quem lê ou assiste determinada mídia é manipulado?), acrescentando que vai lutar contra “monopólios” privados ou modernizar os meios de comunicação no Brasil. Não é fácil notar, mas algumas ações fazem parte desse programa autoritário, como as questões tendenciosas que a cada ano tomam o Enem, que é só parte de uma ampla tentativa de levar a ideologia de esquerda para o ensino. A esquerda sabe que não pode do nada implantar a censura no Brasil, pois necessita de colocar na cabeça do senso comum que o controle é bom para o povo e para a democracia. É a corrupção da linguagem a serviço da mais podre face da tirania. A única saída para barrar esse processo é que os meios de comunicação exponham com clareza o que pode acontecer se a censura for aplicada, usando os exemplos da Venezuela, Bolívia e até Cuba, se necessário. O Brasil necessita não de timidez com medo de parecer “imparcial”, mas de um verdadeiro movimento contra a tentativa de destruir a liberdade de expressão.

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